Eu sonho em um dia viver no país da educação. Ou no país do meio ambiente. No país da justiça social. No país da saúde. No país da industrialização. No país da honestidade. No país do índice zero de mortalidade infantil e de 100% de alfabetização.
Mas a minha realidade é bem diferente. Eu vivo no país do futebol. No país do samba e do carnaval. No país da violência e da corrupção. Pra alguns, viver no país do futebol e do samba é motivo de orgulho. Eu sinto apenas vergonha.
Até hoje eu não vi uma grande mobilização no país para se lutar pela melhoria da educação, do ensino público. Apesar de algumas melhoras na área da saúde como o baixo índice de fumantes, a erradicação da paralisia infantil etc, eu nunca vi uma mobilização tão grande como acontece em tempos de copa do mundo. Nunca vi uma grande mobilização na luta pelo fim da corrupção, com pequenas e pontuais exceções.
Futebol é apenas futebol. Vinte e dois homens correndo atrás de uma bola. Suados, fedidos, violentos. Não consigo enxergar muito além disso. A não ser quando leio os números que envolvem o futebol. Ou quando vejo a grana que a Fifa, a CBF, os patrocinadores, as TVs, os jogadores ganham com o futebol. Mas não vejo a população recebendo qualquer benefício direto com o futebol. Chegamos ao absurdo de, dias atrás, o Lula ter editado uma medida provisória isentando as empresas envolvidas com a copa de 2014 do pagamento de impostos. E isso vale, inclusive, para os canais de TV, além de CBF, Fifa etc. Ninguém vai pagar imposto se "alegar" que aquela atividade tem a ver com a copa de 2014. Vai ser uma festa! Mais uma. Eu cheguei a ficar com pena da Fifa e da CBF, pois os coitados quase não arrecadam dinheiro com o futebol e realmente precisavam de alguns incentivos. Eu trabalho e parte do meu salário fica "retido na fonte" para o pagamento de impostos. Mas a Globo não vai pagar impostos sobre qualquer coisa que tiver alguma ligação com a copa de 2014. Pera lá: não tô entendendo!!!
Mas voltando a falar de futebol. Alguns dizem que é a paixão nacional. Eu não quero parecer esnobe, mas eu tenho outras paixões: música, natureza, educação, gastronomia. Até gosto de assistir a jogos de basquete, mas em hipótese alguma eu deixaria de trabalhar ou fecharia o meu comércio por causa de um jogo.
Mais interessante ainda é a festa que uma parte da população faz nas ruas da cidade após a vitória em algum jogo ou final de campeonato. Muita buzina, fogos, gritaria, bebedeira, garrafas quebradas. Eles estão comemorando uma vitória numa partida esportiva? Ou estão desabafando??? Isso mesmo: desabafando. O cara tem que ser muito reprimido na vida pra comemorar daquela maneira. Isso é sério, grave.
Me lembrei de mais um fato interessante. Na época da ditadura, toda vez que o governo começava a enfrentar baixos índices de popularidade, eles tratavam logo de promover um "torneio quadrangular" com a seleção brasileira que, obviamente, era a campeã do torneio. Todo mundo ficava feliz e comemorava durante algumas semanas. E, com isso, os ditadores ganhavam mais alguns meses de sobrevida no poder até com uma certa tranquilidade. De novo a velha fórmula do panis et circensis. O tempo passou. Dizem que a ditadura acabou, que o Brasil quer ser um país grande. Mas a minha ficha ainda não caiu. Prefiro continuar com os pés no chão, sonhando apenas com um país melhor. De verdade.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Porque eu escrevo?
Me perguntaram se não tenho receio de me expor ao escrever. Eu sei que há riscos, mas realmente não tenho esse receio. Acredito que, quem se dispõe a escrever qualquer coisa, deve estar consciente de que vai se expor de alguma maneira. Cedo ou tarde, vai expor conceitos, vontades, fraquezas, desejos, frustrações, preconceitos.
Eu escrevo pra desabafar. Desabafo pra mim mesmo. Também escrevo pra me distrair e pra sonhar. Consigo realizar nos meus textos alguns sonhos que não seriam possíveis na vida real. E também consigo viajar pra lugares que ainda não pude conhecer. Depois que escrevo, leio e releio o que escrevi diversas vezes. Altero, aprimoro, censuro e transformo os meus textos. Mas, principalmente, aprendo com o que eu escrevo. Aprendo um pouco mais sobre mim mesmo.
Algumas vezes escrevo pra dar "um puxão de orelha" em mim mesmo. Pra que determinada situação ou experiência fiquem bem registradas e eu possa me lembrar delas se um dia precisar. E pra que, nos comentos de dúvida ou crise, eu possa recorrer ao que escrevi pra me lembrar do melhor caminho a seguir.
Eu sempre me surpreendo quando alguma história que contei mexe com alguém. Acho muito legal quando alguém se identifica comigo através de algo que escrevi. Acho esse tipo de interação fantástica. Até mesmo novas amizades podem surgir desse tipo de acontecimento.
Eu tenho que confessar que eu também escrevo pros meus filhos. A gente não sabe por quanto tempo ainda estará por aqui. Por isso, quando escrevo, penso em deixar algo registrado pra eles. Pra saberem como eu sou, como eu penso, como eu sonho, como eu sofro, como eu me alegro. Então também é especialmente pra eles que eu escrevo.
Por isso, escrevo para interagir, pra desabafar, pra aprender, pra polemizar, pra registrar. Escrevo pra amar. E amo através das minhas palavras.
Eu escrevo pra desabafar. Desabafo pra mim mesmo. Também escrevo pra me distrair e pra sonhar. Consigo realizar nos meus textos alguns sonhos que não seriam possíveis na vida real. E também consigo viajar pra lugares que ainda não pude conhecer. Depois que escrevo, leio e releio o que escrevi diversas vezes. Altero, aprimoro, censuro e transformo os meus textos. Mas, principalmente, aprendo com o que eu escrevo. Aprendo um pouco mais sobre mim mesmo.
Algumas vezes escrevo pra dar "um puxão de orelha" em mim mesmo. Pra que determinada situação ou experiência fiquem bem registradas e eu possa me lembrar delas se um dia precisar. E pra que, nos comentos de dúvida ou crise, eu possa recorrer ao que escrevi pra me lembrar do melhor caminho a seguir.
Eu sempre me surpreendo quando alguma história que contei mexe com alguém. Acho muito legal quando alguém se identifica comigo através de algo que escrevi. Acho esse tipo de interação fantástica. Até mesmo novas amizades podem surgir desse tipo de acontecimento.
Eu tenho que confessar que eu também escrevo pros meus filhos. A gente não sabe por quanto tempo ainda estará por aqui. Por isso, quando escrevo, penso em deixar algo registrado pra eles. Pra saberem como eu sou, como eu penso, como eu sonho, como eu sofro, como eu me alegro. Então também é especialmente pra eles que eu escrevo.
Por isso, escrevo para interagir, pra desabafar, pra aprender, pra polemizar, pra registrar. Escrevo pra amar. E amo através das minhas palavras.
A minha conta de luz.
Hoje eu acordei menos filosófico. Já cansei de tentar entender as fomes da minh'alma, e já estou mais adaptado pra ter dias triviais, porém especiais. Assim, vamos ao que interessa.
Eu me assustei com o aumento do consumo de energia elétrica aqui em casa depois que o frio chegou. A conta de luz quase que dobrou nos últimos dois meses. Na verdade, eu já tinha mudado a chave do chuveiro para o "inverno" há uns dois meses, desde que aquelas primeiras noites frias começaram a aparecer.
Comentei com um amigo e ele me sugeriu que eu diminuísse o tempo gasto no chuveiro. Mas como? Eu gosto de relaxar e refletir justamente no chuveiro. Só o barulho da água, ninguém pra me encher o saco.
Então esse amigo sugeriu: leve o notebook pro banheiro e programe pra que ele toque umas 3 ou 4 músicas. Enquanto as músicas vão tocando, você pode controlar melhor o tempo do banho e saber quando já está na hora de sair. Quando a última música terminar de tocar, o seu tempo terá se esgotado e você já deverá estar com o banho tomado. Vai treinando, você se acostuma.
Fazia sentido. Embora eu ainda não estivesse contente com a idéia de ter que dimunuir o meu precioso tempo no chuveiro. Mas também não quis desprezar por completo a idéia do amigo. Afinal, amigos querem o melhor pra nós.
Fiz a minha seleção com apenas quatro músicas: escolhi a versão original de Faroeste Caboclo, do Legião Urbana, I'll Do Anything for Love, do Meat Loaf, e mais duas musiquinhas da antiga banda Blitz. O tempo total da seleção musical ficou em menos de uma hora, média de quase 15 min. por música.
A minha conta de luz ainda não diminuiu, mas a minha consciência ficou tranquila pois estou fazendo exatamente o que me recomendaram.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Dias triviais, porém especiais.
Muitas vezes nós consideramos os nossos dias triviais. Achamos que a nossa vida caiu na rotina, está sem graça.
Todavia, mesmo nos dias mais triviais, há acontecimentos especiais pipocando ao nosso redor a cada segundo. No meio da trivialidade há momentos significativos e belos. Mas é preciso enxergá-los. Infelizmente, quando nos focamos apenas naquilo que consideramos trivial, deixamos de enxergar e reconhecer o que é especial. É como se o nosso campo de visão e sentimento estivesse limitado por nós mesmos.
A vida é feita de cores, cheiros, sensações, emoções. E a trivialidade dos nossos dias não impede que esses presentes da vida se manifestem. Eles estão vivos em tudo o que nos rodeia. Mas é preciso estar sensível para enxergá-los.
Imagine uma pequena borboleta que pousa na sua janela, cujas asas possuem cores únicas, vivas, raras, belas. Uma simples borboleta, com cores e brilhos especiais. Até mesmo o vôo dessa borboleta pode ser visto como uma dança, um balé ao ar livre, colorido e brilhante, cheio de vida. Assim, até mesmo uma simples borboleta pode nos proporcionar momentos e sensações especiais durante alguns minutos de um dia antes visto como trivial. A mesma idéia vale para o barulho da chuva ou das águas de um rio, para o canto de um pássaro ou para a gargalhada de uma criança.
Nós precisamos relaxar e nos permitir enxergar cada pequeno acontecimento especial nos nossos dias triviais. Nossos dias triviais podem ser especiais. Depende dos nossos olhos, dos nossos sentidos, da nossa vontade e do nosso foco.
Cabe a nós a escolha: viver um dia trivial de forma trivial ou viver esse mesmo dia trivial de forma especial.
O amor pelo dinheiro.
Eu sempre tentei diferenciar a ambição da ganância. Sempre enxerguei a ambição como algo positivo e a ganância como algo negativo.
Eu li um artigo que citava o economista inglês Keynes a respeito da diferenciação entre o amor pelo dinheiro como possessão e o amor pelo dinheiro em função das facilidades e do conforto que o dinheiro pode proporcionar.
Acho injusto reconhecer Keynes apenas como economista, pois ele era um daqueles gênios que não se restringia apenas à economia, mas também se preocupava com a política, o direito, a sociologia, a história e até mesmo a psicologia. Keynes é conhecido como o pai da macroeconomia e é considerado umas das 100 personalidades mais influentes do século XX. Keynes influenciou Freud que, por sua vez, influenciou Keynes. Quando Keynes escreveu sobre o amor pelo dinheiro, ele se utilizou de estudos de Freud.
Para Keynes, o amor pelo dinheiro como mera possessão era uma doença. Já o amor pelo dinheiro, tendo em vista os confortos e prazeres que ele pode proporcionar, é algo saudável. Nesse caso, o dinheiro é o instrumento, o meio para se atingir o objetivo que pode ser um prazer, uma facilidade ou um conforto. Se a busca pelo dinheiro for um fim em si, o indivíduo estará doente.
Nesse sentido, é possível se caracterizar a ambição como a busca saudável por melhores condições de vida, através do dinheiro. Já a ganância seria a busca desmedida pelo dinheiro como mera acumulução de riquezas e bens.
O que você busca? Dinheiro para uma vida boa? Ou dinheiro pelo dinheiro?
terça-feira, 8 de junho de 2010
As nossas fomes.
Nós buscamos o prazer. Desde que nascemos, vivemos uma busca constante pelo prazer. Temos fome de prazer.
Prazer e dor são opostos. Prazer com dor, ou na dor, não é prazer; é desvio, é doença.
Enquanto buscamos o prazer, temos fome. Temos fome de comida. Mas também temos fome de emoções, sentimentos, sensações, amor. Nossa alma e o nosso espírito têm suas fomes. E, enquanto essas fomes não são saciadas, sentimos dor.
Uma criança recém-nascida tem fome de comida: o leite materno. Mas também tem fome de sensações, cuidado, atenção: o calor, o cuidado e o amor maternos. A criança sente dor, sente fome e chora até que sua fome seja saciada. Quando a dor causada pela fome se vai, a criança alcança o prazer.
Nós adultos também sentimos dor e choramos, à nossa maneira, até que nossas fomes sejam saciadas e a nossa dor seja dissipada.
Quando saciamos as nossas fomes e extirpamos as nossas dores, alcançamos o prazer. Não me refiro ao prazer por prazer, ao prazer superficial ou passageiro, mas ao prazer estável e duradouro, aquele que nos proporciona paz de espírito.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Mudanças
Outro dia meu pai me chamou de retrógrado. Talvez tivesse sido mais leve se tivesse me chamado apenas de conservador. Conservador dá a idéia de alguém parado no tempo. Mas retrógrado é pior: dá a idéia de alguém que retroage no tempo.
Foi inevitável refletir sobre o assunto. E o otimismo que me mantem vivo me fez enxergar alguns aspectos positivos no comentário dele. Ou, pelo menos, a minha ótica foi positiva. Em primeiro lugar, a vida é constantemente sujeita a mudanças. Pra melhor ou pra pior. Não há como fugir disso enquanto estivermos vivos (até porque depois, dizem, é dessa pra uma melhor). Assim, só cabe a nós nos adaptarmos às mudanças que ocorrerão.
Há dois anos atrás eu passei pela mudança mais brusca de toda a minha vida. Por mais previsível que a situação geradora da mudança fosse, no fundo, a gente nunca espera que aquilo realmente aconteça. Mas aconteceu. Minha vida mudou absurdamente. No início, fiquei totalmente sem rumo. Tive que me adaptar em todas as áreas possíveis da minha vida. Em muitos momentos, achei que não fosse ter forças para sobreviver a tantas mudanças. Mas eu sobrevivi. Quase sempre a gente sobrevive. Já dizia Sêneca, o moço: "Silêncio, paciência e tempo". Tenho uma certa dificuldade em me manter em silêncio, mas gosto especialmente da parte que trata da paciência e do tempo. Acredito que com o tempo tudo se ajeita. E com um pouco de paciência tudo fica mais fácil.
Eu sei que é difícil manter a calma depois que uma crise já se instalou. Então o mais interessante talvez seja estar preparado para quando uma crise chegar, para quando a mudança estiver para acontecer, já que sabemos que elas serão inevitáveis, quase sempre inadiáveis, pois fazem parte da vida. Se estivermos preparados para as mudanças, vai ser muito mais fácil, rápido e menos traumático passar pelo processo de adaptação. E as chances de que essa mudança seja "para melhor" aumentarão consideravelmente. No meio do meu processo pessoal de adaptação às mudanças, eu tive que tomar várias decisões. Acertei em algumas, errei em outras. Mas, passados dois anos, agora eu posso reconhecer melhor o que realmente importa pra mim, o que realmente tem valor para a minha vida. E, talvez, por isso, meu pai tenha me chamado de retrógrado.
De fato, eu estou tentando retroagir e resgatar alguns princípios e valores que eu carreguei durante grande parte da minha vida, mas dos quais estive afastado durante os momentos difíceis. Também estou tentando resgatar amizades de infância, sonhos que eu tinha quando era criança. Eu estou retroagindo sim, mas apenas para resgatar as coisas boas e de valor que eu tinha deixado pelo caminho. No fim das contas, acabei aceitando o "retrógrado" como um elogio. Gostei.
Foi inevitável refletir sobre o assunto. E o otimismo que me mantem vivo me fez enxergar alguns aspectos positivos no comentário dele. Ou, pelo menos, a minha ótica foi positiva. Em primeiro lugar, a vida é constantemente sujeita a mudanças. Pra melhor ou pra pior. Não há como fugir disso enquanto estivermos vivos (até porque depois, dizem, é dessa pra uma melhor). Assim, só cabe a nós nos adaptarmos às mudanças que ocorrerão.
Há dois anos atrás eu passei pela mudança mais brusca de toda a minha vida. Por mais previsível que a situação geradora da mudança fosse, no fundo, a gente nunca espera que aquilo realmente aconteça. Mas aconteceu. Minha vida mudou absurdamente. No início, fiquei totalmente sem rumo. Tive que me adaptar em todas as áreas possíveis da minha vida. Em muitos momentos, achei que não fosse ter forças para sobreviver a tantas mudanças. Mas eu sobrevivi. Quase sempre a gente sobrevive. Já dizia Sêneca, o moço: "Silêncio, paciência e tempo". Tenho uma certa dificuldade em me manter em silêncio, mas gosto especialmente da parte que trata da paciência e do tempo. Acredito que com o tempo tudo se ajeita. E com um pouco de paciência tudo fica mais fácil.
Eu sei que é difícil manter a calma depois que uma crise já se instalou. Então o mais interessante talvez seja estar preparado para quando uma crise chegar, para quando a mudança estiver para acontecer, já que sabemos que elas serão inevitáveis, quase sempre inadiáveis, pois fazem parte da vida. Se estivermos preparados para as mudanças, vai ser muito mais fácil, rápido e menos traumático passar pelo processo de adaptação. E as chances de que essa mudança seja "para melhor" aumentarão consideravelmente. No meio do meu processo pessoal de adaptação às mudanças, eu tive que tomar várias decisões. Acertei em algumas, errei em outras. Mas, passados dois anos, agora eu posso reconhecer melhor o que realmente importa pra mim, o que realmente tem valor para a minha vida. E, talvez, por isso, meu pai tenha me chamado de retrógrado.
De fato, eu estou tentando retroagir e resgatar alguns princípios e valores que eu carreguei durante grande parte da minha vida, mas dos quais estive afastado durante os momentos difíceis. Também estou tentando resgatar amizades de infância, sonhos que eu tinha quando era criança. Eu estou retroagindo sim, mas apenas para resgatar as coisas boas e de valor que eu tinha deixado pelo caminho. No fim das contas, acabei aceitando o "retrógrado" como um elogio. Gostei.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Ditadura branca.
Há poucas décadas atrás, era necessário um golpe de estado ou uma guerra para que uma ditadura militar fosse implantada em determinado país. Isso ainda é comum em países africanos, e volta e meia vemos nos notíciários um novo golpe de estado naquele continente.
Uma das características das ditaduras é que o governante não responde à lei. Geralmente, com a queda do poder até então estabelecido, o novo governante golpista revoga a legislação em vigor e passa a governar de acordo com os seus interesses. Interessante que, geralmente, esses governos golpistas ainda tentam dar a impressão de que governam para o bem povo.
No Brasil não há mais espaço para golpes de estado e instituição de ditadura. Ou melhor, golpes de estado ou ditaduras militares atualmente são desnecessárias no Brasil.
Porque um presidente fecharia o Congresso, se quisesse dar um golpe e administrar o país ditatorialmente? É mais simples, menos traumático e menos escandaloso se dominar o Congresso através das trocas de favores com a divisão de cargos públicos aos partidos, mediante a manipulação do orçamento etc.
Porque um presidente daria um golpe de estado e revogaria a legislação de um país para administrar exclusivamente de acordo com os seus interesses? Isso não é necessário. É mais simples, mais fácil dominar o Congresso para que a maioria do legislativo vote sempre de acordo com os interesses do governo, revogando o que não convém, e aprovando o que interessa.
Porque um presidente fecharia ou interviria nos canais de televisão privados do país? É mais fácil comprá-los através dos milhões de reais gastos anualmente com a propaganda institucional do governo.
Porque um presidente iria ameaçar, agredir, prender ou intimidar os cidadãos do país? É mais fácil conquistá-los tornando-os dependentes do governo através do bolsa escola, bolsa familia e tantas outras bolsas disponíveis para a população, de acordo com suas necessidades. O custo é bem menor do que no uso de armas.
Ou seja, é muito mais simples se dominar um país e um povo através de uma "ditadura branca". Não há violência explítica, nem derramamento de sangue pelas ruas. Ditaduras militares estão fora de moda e mancham a imagem do governante perante a opinião pública internacional. Ainda mais no caso de um governante que se coloca como apto a assumir a secretaria geral da ONU, ou a direção geral do Banco Mundial, após deixar o governo.
E o pior é que não há novidade nisso tudo, mas apenas a modernização no uso do bom e velho panis et circenses.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Interesse: interessado ou interesseiro?
Tudo na vida gira em torno de algum interesse. Mas isso não precisa significar algo negativo. Pelo contrário, é até saudável, inteligente e natural.
A cada passo, a cada decisão que tomamos, temos que refletir sobre o que é bom pra nós, sobre o que queremos, sobre o que nos atrai ou o que nos faz sentir bem. Ou seja, sobre o que nos interessa.
As pessoas tomam decisões de consumo baseadas em seus interesses, escolhem os destinos de viagens de acordo com os seus interesses, estabelecem círculos de amizade em função de interesses. Alguém que gosta de história vai escolher visitar Cuba ou a Itália; alguém que prefere as compras vai optar por Miami. Até aí, tudo bem. Insisto que isso é saudável, apropriado e normal.
O problema começa quando as pessoas agem de forma descontrolada, desonesta, desrespeitosa e anti-ética pra atingirem os seus objetivos e satisfazerem os seus interesses. Costumamos denominar esse tipo de atitude como "interesseira". De forma simplista, poderia se dizer que é "fazer algo a qualquer custo" ou "passando por cima do que ou de quem quer que seja". Significa enganar, corromper, iludir ou se usar de qualquer tipo de artifício desonesto ou imoral para satisfazer um interesse (eu não vou entrar na discussão do que pode ser definido como moral ou imoral, mas levo em conta apenas uma idéia genérica de moralidade do homem médio).
Uma pessoa interessada é diferente de uma pessoa interesseira. Uma pessoa pode se interessar por algo, mas não deve ser interesseira em qualquer situação ou circunstância da vida. São aspectos distintos e são posturas distintas que, por sua vez, geram comportamentos bem distintos.
Quando tomamos uma decisão e assumimos que temos determinado interesse, devemos avaliar, antes de mais nada, se o benefício que será alcançado com a eventual satisfação daquele interesse pode gerar algum tipo de prejuízo na vida de alguém. Se chegarmos à conclusão de que, na satisfação do nosso interesse, existe o risco de causar prejuízo a alguém, é hora de repensar o valor do nosso benefício. É hora de pensar se esse interesse é digno e legítimo.
A partir do momento em que alguém deixa de avaliar o possível impacto negativo de seus atos na vida dos outros, essa pessoa passa a agir de forma interesseira. E isso não é saudável, isso não é digno, não é ético e nem honesto. Não há virtude em uma atitude interesseira. E de que vale uma vida sem virtude?
terça-feira, 18 de maio de 2010
Celibato
A intenção aqui é abordar a questão do celibato de forma mais objetiva possível, deixando de lado ideologias ou paixões.
Não importa a quem se atribua a criação e a evolução do homem, a Deus ou ao big bang, é fato que o homem possui órgãos reprodutores, é movido por hormônios, possui desejos e vontades guiados pelo seu cérebro. Essa é a fisiologia humana. Isso é fato.
Imaginemos que exista um Deus ou um ser superior e criador que tenha formado o homem. É de se presumir que, se esse Ser tivesse a intenção de criar alguns humanos separados para o celibato, Ele, na sua imensa sabedoria, o teria feito de modo que alguns homens nasceriam sem os órgões reprodutores, ou não produziriam os mesmos hormônios comuns aos demais membros da espécie.
Seria cruel se criar humanos como humanos e, depois, exigir que alguns seres se abstivessem de querer e sentir vontades e desejos de praticar atos para os quais foram criados em sua essência. Imagine alguém que foi criado e condicionado para ter sede e fome, mas que fosse pressionado para não sentir sede e fome, ou fosse impedido de ter sede e fome. Isso seria anti-humano.
Deus não instituiu o celibato. Os homens instituíram o celibato. E a história deixa claro que os motivos pelos quais o celibato foi instituído não eram nem um pouco nobres. Pelo contrário, eram os mais materialistas possíveis.
Não adianta querer argumentar que alguns homens simplesmente optam pelo celibato de forma espontânea e voluntária. Esses homens não sabiam o que enfrentariam na vida celibatária simplesmente porque ainda não tinham enfrentado esse desafio. Muitos foram pressionados pela própria familia, desde o seu nascimento, para optar por aquele caminho. E, após assumida a postura do celibato, esse mesmo homem não é mais livre para voltar atrás, pois, em seu íntimo, assumiu um compromisso perante a familia, perante os amigos, perante a igreja e a sociedade. O preço de voltar atrás seria muito alto. O risco de exclusão social e familiar seria imenso.
A essência humana é contrária ao celibato. E, por isso, cedo ou tarde essa essência vai prevalecer. Ultimamente, têm se tornado cada vez mais comuns, ou mais públicos, os problemas decorrentes dessa tentativa de se lutar contra a essência do homem - contrária ao celibato. E os resultados são extremamente tristes para todos os envolvidos.
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